terça-feira, 3 de março de 2015

O Teatro de Bonecos do Nordeste Patrimônio Cultural Brasileiro


O Livro de Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Brasileiro pode ganhar mais um bem registrado, é o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste - Mamulengo, Babau, João Redondo, Cassimiro Coco (TBPN). A sua inscrição será avaliada na 78ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, no dia 05 de março, na Sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. O pedido de inclusão foi solicitado pela Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB), o que afirma a tendência de uma apropriação da sociedade sobre suas manifestações.
O Teatro de Bonecos do Nordeste se tornou uma tradicional brincadeira, com origens no hibridismo cultural, durante o período de colonização do Brasil. A troca intensa possibilitou uma diversidade de temáticas: religiosa, profana ou de costumes populares. E, apesar deste bem ser amplamente conhecido como mamulengo, em cada contexto se desenvolveu de forma diferenciada, por isso, possui diversas denominações: Cassimiro Coco, no Maranhão e Ceará; João Redondo e Calunga no Rio Grande do Norte; Babau na Paraíba; Mamulengo em Pernambuco.
A brincadeira começa com a montagem da empanada, uma espécie de barraca. Depois disso, os brincantes se colocam na parte de trás e então começa o espetáculo com os bonecos em cena e a introdução de um texto poético, a loa. Além da narrativa, a peça contém elementos surpresas, sugeridos, muitas vezes, pelo mestre a partir de um conhecimento prévio sobre o público, por exemplo.
Esta forma de expressão carrega elementos fundamentais para a sustentabilidade da identidade, memória e ainda desempenha um papel agregador que legitima as práticas cotidianas nessas regiões. Dessa maneira, tornou-se uma referência cultural que vem se atualizando, ao longo do tempo, mas que mantém relações de tradição, pertencimento e coletividade no universo cultural na qual se desenvolve.
O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, assim, constitui-se não apenas como um Brinquedo ou, simplesmente, um traço do folclore, envolve, sobretudo, a produção de conhecimento criativo, artístico e com uma forte carga de representação teatral.
De acordo com Fernando Augusto Santos, que pesquisa a brincadeira dos bonecos, este tipo de fazer teatro está estreitamente relacionado a grupos sociais específicos e enraizado no cotidiano dessas comunidades “por suas características, meios e modos de trabalho e sobremaneira por seu caráter dramático, que lhe faz representar, reinventar e mesmo transfigurar a cultura, a coletividade e o mundo, que lhes são próprios e nos quais sobrevive”.
Assim, pela representatividade que possui essa manifestação, a Associação Brasileira de Teatro de Bonecos vêm se articulando para que O Teatro de Bonecos seja reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Iphan e pela sociedade. No texto de inscrição ressalta-se o que este bem “trata-se de uma expressão teatral genuína da cultura brasileira e muito peculiar do nordeste brasileiro, rica da genialidade de seus criadores e na empatia que estabelece com seu público”.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho, que avalia os processos de tombamento e registro, é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros que representam instituições como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e mais 13 representantes da sociedade civil, com conhecimento nos campos de atuação do Iphan.
 http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18798&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia


Serviço:
78ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Data:
 05 de março de 2015

sábado, 28 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

No Céus das Artes

O projeto “No Céu das Artes” de realização do Grupo Teatral de Tangará da Serra – GRUTTA
em parceria com o Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes - FUNARTE acontecerá no dia 07/02/2015 (sábado) as 18:00 horas na Praça Céu das Artes - Sorriso Mestiço Dorival Brandão no município de Sorriso/MT. “No Céu das Artes” faz parte do Edital Funarte de Ocupação dos Céus das Artes/2013 quetem como objetivo integrar num mesmo espaço físico programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços socio-
assistenciais, políticas de prevenção à violência e inclusão digital, de modo a promover a cidadania
em territórios de alta vulnerabilidade social das cidades brasileiras, a partir do ano de 2014.
O primeiro Grupo a participar será o Mamulengo Sem Fronteiras que levará apresentações  de dois espetáculos de seu Repertorio sendo Eles " Exemplos de Bastião e As aventuras de Baltazar no reinos dos Mamulengos" além de uma oficina de Teatro de mamulengos e Objetos com uma montagem de espetáculo com alunos da Comunidade.








domingo, 25 de janeiro de 2015

VERÃO CULTURAL CERVEJARIA KAIXA D`ÁGUA - de 26/01 a 14/02/2015

Para Celebrar e comungar o início Ano de 2015,
VERÃO CULTURAL CERVEJARIA KAIXA D`ÁGUA - de 26/01 a 14/02
(Programação da Primeira Semana)
Sempre às 20hs, Domingo às 19hs
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- 26/01 (Seg.) Noite de Abertura - Lounge por Gérson Deveras;
Seleção de Filmes do Festival de Curtas dos Alunos da Escola Pública CEMAB;
O Meu nome é Fábio, de Ivaldo Cavalcante;
MC Nobre y Nasson, César De Paula, Abder Paz (mímica);
Singelo MC e DJ Liso;
Poetas, Exposição fotográfica Danilo Cruz e
Joelma Antunes (Criaturas da Noite) + Espaço aberto
- 27/01 (Ter.) Cinema e Gastronomia, Exposição de esculturas e MPB c/ Velho Branco
- 28/01 (Qua.) Noite de Cultura Popular (Forró, Mamulengo e Outras Manifestações)
- 29/01 (Qui.) Sacolejo, Noite c/ os DJs Ogro, MOVNI, Mkm
- 30/01 (Sex.) Deusdeth Francisco & Banda
- 31/01 (Sáb.) Festa Hair c/ a banda Os Naftalinas e a DJ Cherry Bomb
- 01/02 (Dom.) Epítase, Casa Vermelha
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Ingressos a 6 r$ na semana. Fim de semana (sex., sáb., dom.) 8r$

End: CNF 02 Lote 01 lojas 04 e 05 Praça da CNF Taguatinga
Compartilhem e Compareçam




domingo, 14 de dezembro de 2014

Mamulengo de Rapente

                           

Programação 
Tendas:
Cortejo de abertura com palhaços Pilombetagem - De 14h as 15h
Mamulengo Presepada - De 15h10 as 16h
Messias Oliveira e Donzílio Luiz - De 16h15 as 17h
Nego Dé - De 17h10 as as 17h50
Grupo Sem Fronteiras- De de 18h15 as 19h
Rapadura - De 20h20 as 21h10
As Criolas - De 22h20 as 23h
Teatro Plínio Marcos:
Show Encontros com Markão, Mamulengo Fuzuê, Chico de Assis e Valdenor - De 19h10 as 20h10.
Lilia Diniz com o Sertanejares - 20h30 as 21h
Chinelo de Couro - De 23h as 00h.
Espaço Educativo da Galeria Fayga Ostrower:
Oficina de bonecos com Thiago Francisco - De 15h as 17h
Oficina de poesia com Lília Diniz - De 17h30 as 18h30
Roda de Prosa com mediação da ACTB- De 18h as 20h
Jardim:
Oficina de iniciação ao grafite com Satão - De 15h as 16h30


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Mostra de Teatro de Bonecos



Mais uma vez  Brasília vai virar a Capital do Boneco,de 06 a 10 de Dezembro na Funarte,   Entrada Franca para todos os Espetáculos,compartilhem e compareçam,,,

                                       

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Mamulengo de Rapente



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014


PROGRAMAÇÃO
Mercado Sul (Taguatinga) | 22 de novembro
Palco DiVerso
14h – 15h: Cortejo de abertura com @s palhaç@s Canarinho, Peteleco, Belisca e Rabisco – Cia Pilombetagem
15h10 – 16h: Mamulengo Sem Fronteiras | Baltazar no Reino dos Mamulengos
16h25 – 17h20: Paraibola
17h40 – 18h40: Rap com As Criolas
19h – 19h40: Cia. Roupa de Ensaio | Mamulengo Gratidão – Cobra Madalena
20h – 20h50: Rap com Nego Dé
Palco Encontros
20h10 – 21h40: Japão [Viela 17] + Mamulengo Fuzuê + Valdenor e Ismael Pereira
22h50 – 23h50: Forró com Chinelo de Couro
Espaço Fazeres – Oficinas (Invenção Brasileira)
14h – 15h30: Xilogravura, com Bruno Mattos (18 anos)
14h – 16h: Estrutura, tipos e personalidade na brincadeira do Mamulengo, com Thiago Francisco (15 anos)
18h – 19h: Composição de Rap, com Magu [Diga How]
Espaço Saberes – Roda de Prosa (livre, 50 vagas)
19h – 20h20, no Invenção Brasileira
Tema: Identidade, Novos Rumos, Parcerias e Sustentabilidade – Cultura Popular e Movimento Hip Hop

Casa do Cantador (Ceilândia) | 28 de novembro
Palco DiVerso (Área Externa)
10h – 11h: Cortejo de abertura com @s palhaç@s Canarinho, Peteleco, Belisca e Rabisco – Cia. Pilombetagem
11h10 – 12h10: Casa Moringa | Espetáculo Mulheres Brincantes
14h – 15h: Rap com Higo Melo [Ataque Beliz]
15h20 – 16h20: Mamulengo Sem Fronteiras | Baltazar no Reino dos Mamulengos
16h40 – 17h40: Mestre Zé do Pife as Juvelinas
19h20 – 20h20: MC Murcego e Erotori
20h40 – 22h: Show Encontros com Rapadura Xique-Chico + Mamulengo Fuzuê + Chico de Assis e João Santana
22h20 – 23h20: Martinha do Coco
Espaço Fazeres – Oficinas (Sala 01)
10h – 12h: Discotecagem, com Ocimar DaBomb (15 anos, 30 vagas)
14h – 17h: Manipulação de Bonecos de Mamulengo, com Thiago Francisco (15 anos)
19h20 – 20h20: Cordel, com Chico de Assis (13 anos)
Espaço Saberes – Roda de Prosa (livre, 50 vagas)
17h – 19h, na Sala 02
Tema: Identidade, Novos Rumos, Parcerias e Sustentabilidade – Cultura Popular e Movimento Hip Hop

FUNARTE | 14 de dezembro
Palco DiVerso (Área Externa)
14h – 15h: Cortejo de abertura com @s palhaç@s Canarinho, Peteleco, Belisca e Rabisco – Cia. Pilombetagem
15h10 – 16h: Mamulengo Presepada
16h15 – 17h: Repente com Messias Oliveira e Donzílio Luiz
17h10 – 18h: Rap com Diga How
18h15 – 19h15: Mamulengo Sem Fronteiras | Baltazar no Reino dos Mamulengos
19h30 – 20h30: Show Encontros com Markão Aborígene + Mamulengo Fuzuê + Chico Ivo e João Neto
20h45 – 21h45 : RAPadura Xique-Chico
22h – 23h: Lília Diniz | Show Sertanejares
Espaço Fazeres – Oficinas
15h – 16h30: Iniciação ao Grafite, com Satão do DF Zulu Breakers (13 anos, 30 vagas)
15h10 – 17h10: Criação de enredo e tipo/personalidade do boneco de mamulengo, com Thiago Francisco do Mamulengo Fuzuê (15 anos)
17h30 – 18h30: Rimando a Vida com Poesia – Oficina de Poesia Matuta, com Lília Diniz (18 anos)
Espaço Saberes – Roda de Prosa (livre, 50 pessoas)
18h10 – 20h20 | Sala Cássia Eller
Tema: Identidade, Novos Rumos, Parcerias e Sustentabilidade – Cultura Popular e Movimento Hip Hop

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mamulengo Presepada 30 anos



Longa trajetória de aprendizagem e ensinamentos
por Vitor Santana
Chico Simões, a gente sabe que você tem um longo tempo de estrada com esses espetáculos de bonecos, e você deve escutar essa pergunta muitas vezes, mas como foi o seu primeiro contato com os bonecos mamulengos?
Rapaz, foi um boneco de ventriloquia que passou na minha escola. Passou um ventrículo e foi incrível que a primeira apresentação que ele fez eu não pude assistir porque tinha que pagar. Pagava muito pouco mais eu não tinha grana. E então ficamos eu e mais uns cinco alunos sem assistir, mas ouvíamos os outros rindo. E no final, quando voltaram para dentro da sala de aula comentaram muito sobre o boneco que falava e eu dizia: "Pô, como é que pode", fiquei impressionado com essa história, como é que pode um boneco falar, não conseguia imaginar. Só que no outro dia para minha surpresa o cara se apresentou novamente e de graça, para todo mundo. Foi maravilhoso. Eu corri e fiquei logo na primeira fila, sentado no chão. Ele começou a brincadeira, e chamou Juquinha, o boneco: "Juquinha acorda, acorda Juquinha, acorda", e o Juquinha nada, não acordava. Ele pedia para a galera gritar: "Acorda Juquinha!" e todo mundo gritava em coro "Acorda Juquinha!" e o boneco não acordava. Eu me levantei, fui até lá e dei um tapa na perna do Juquinha (risadas). Quase que eu derrubo o boneco com o bonequeiro e tudo. Aí, ele acordou assustado com aquilo e eu achei fantástico. Pensei que eu que tinha acordado o Juquinha. (risadas).
Em que cidade foi isso?
Isso foi em Taguatinga, que é uma região administrativa de Brasília, em uma escola pública, dessas muitas escolas que tem por lá.
Há quanto tempo você já está na estrada com essas apresentações?
Olha, aprendendo eu estou desde 1981, acompanhando outras pessoas que eu considero meus mestres. Depois, de 1981 a 1984 eu vivi pelo Nordeste, entre idas e vindas à Brasília, sempre procurando conviver com mestres da cultura popular, mágicos, palhaços, ventríloquos, camelôs, toda essa gente da rua. Em 1985, eu voltei a Brasília e montei o Mamulengo Presepada, que é a brincadeira que eu já faço há 24 anos.
E quais são os temas que você utiliza em suas apresentações?
Olha, são temas universais porque eles cabem bem a qualquer público, em qualquer lugar, qualquer cultura, além dos temas particulares daquela cultura onde estou me apresentando. Então, eu sempre procuro saber, no local onde vou me apresentar, o nome de algumas pessoas, algumas situações que acontecem ali para que dentro da brincadeira eu possa utilizar esses elementos. Assim, eu faço uma comunicação com o particular e ao mesmo tempo universal porque essas coisas vêm desde sempre e estão em toda parte.
Que tipos de bonecos você utiliza durante o show? Quantos são? Tem algum tipo específico?
Olha, na minha mala ficam mais ou menos uns 25 bonecos. Não quer dizer que eu vá apresentar todos eles, todas as vezes que eu abri-la. Eu posso apresentar cinco, dez, quinze, dependendo da brincadeira, de quanto tempo, da situação, da reação do público. Então, tudo isso é muito improvisado, no sentido de que existem muitas possibilidades. Improvisação não é você fazer o dá na cabeça na hora não. Improvisar é você ter um repertório muito grande de possibilidades de atuação e, naquela situação, você usa uma daquelas possibilidades. O público pensa que você está criando na hora que você está improvisando, quando na verdade você está utilizando uma das milhares de possibilidades que você tem para aquela situação. Eu entro no jogo aberto, eu não sei o que vai acontecer quando eu começo a brincar. Eu tenho que ter só um arsenal de coisas e aí eu vou usando de acordo com o sabor do momento.
Como são feitos esses bonecos? Qual matéria você utiliza?
Geralmente é madeira, que é um material resistente, mas pode ser também cabaça, tecido. São sempre materiais orgânicos. Eu nunca utilizo matérias plásticas ou sintéticas. Sempre são materiais orgânicos mesmo, madeira, tecido e metal.
E quanto tempo você demora pra fazer um boneco? Dependendo da cidade você cria um boneco específico?
Depende. Eu já terminei de almoçar, comecei a esculpir um boneco e às duas horas da tarde ele já estava pronto, porque eu queria fazer aquele boneco e ia brincar à tarde. E tem boneco que você leva anos e ele nunca fica pronto. Ele fica te acompanhando o tempo inteiro, mas ele nunca está pronto. Então depende muito, não tem um tempo estabelecido não. Pode ser muito rápido e pode demorar muito.
Por quais lugares você já viajou com esses espetáculos?
Já andei uns vinte países. O Brasil todo, todo, todo, e depois toda a América Latina. Um pouco da América do Norte, e depois a Europa. Falta ainda a África e a Ásia, que eu gosto muito e são lugares que eu pretendo ir ainda, na África e no Oriente.
Como você maneja os bonecos? Como é feito todo o trabalho na apresentação? Você sempre usa bonecos ou às vezes é só você no espetáculo?
Às vezes sou eu usando objetos, mas se você considerar o boneco como um objeto, ou um objeto como personagem, com essa força, com essa anima, com essa alma, pra mim é indiferente. Eu sei que o público distingue o boneco de um objeto, mas eu, quando estou brincando, não distingo. Eu tanto sei que o boneco é um objeto, como eu sei que um objeto tem vida. Aí eu brinco com isso. Então não tem uma maneira, uma técnica para que eu possa falar a respeito. Eu posso falar que com o tempo você vai aprendendo e com a prática você vai sabendo utilizar cada boneco, cada material ou apenas o próprio corpo e aí ele acaba se transformando num meio de expressão também, de acordo com o que todo o público sugere.
Você acredita que essas apresentações de mamulengo sejam eficientes em passar alguma mensagem para as crianças, ou ajudá-las em algum ensino?
Claro, pode ajudar as crianças a dizer "Não" (pequena risada), ajudar as crianças a... eu gosto muito de brincar, a brincadeira do mamulengo é a minha brincadeira. A minha brincadeira é bem pedagógica e as pessoas sempre perguntam isso. O boneco vai cuspir, escarrar, vai arrotar, vai peidar, vai fazer xixi, sabe, essa coisas orgânicas que o ser humano faz mas não gosta de falar, não comenta e muitas vezes reprime. E essa repressão a naturalidade que a gente tem pode causar problemas e até mesmo doenças. Então quando eu brinco e um boneco faz xixi na platéia, e a platéia se diverte a beça com isso, para mim eu estou exercendo uma função educativa, uma função pedagógica. Eu posso não ser politicamente correto para o gosto das professoras do ensino formal ou da maioria dos conservadores, mas com certeza, pelos anos de experiência, eu sei que essas provocações com as professoras e esse convite às crianças para que elas sejam mais espontâneas, eu tenho certeza que isso é educativo.
Você já trabalhou num projeto, um Ponto de Cultura, certo? Conta pra gente como foi esse período.
Eu considero que até hoje eu trabalho em um Ponto de Cultura. Até mesmo porque antes de existir esse nome "ponto de cultura", eu já era de um Ponto de Cultura. É questão de um nome que o Estado, o governo deu a uma coisa que a gente já fazia. Então o ponto de cultura não é uma criação nova e nem ela acabou e nem vai acabar. O Ponto de Cultura é um lugar em que as pessoas se reúnem pra fazer cultura, principalmente uma cultura de algum interesse social, que beneficie a comunidade. Isso foi muito bom. É muito bom que o Estado, que o governo apoie esses grupos para que eles possam se fortalecer e desenvolver bastante o trabalho que já vinham fazendo. Foi o que aconteceu com a gente, nós crescemos imensamente nesse período que tivemos convênio como Ponto de Cultura. Ainda estou dentro dessa rede de Pontos de Cultura, e tenho crescido bastante, conhecido muita gente que faz um trabalho parecido e que tem questões e problemas parecidos. A gente vai encontrando também soluções parecidas para esses problemas. E, sobretudo, o fim dessa sensação de que a gente é só, de que seu trabalho é inglório, que não vai mudar nada. Quando a gente entra na rede a gente vê que tem muita gente fazendo, que tem muita gente mudando e a gente muda também nossa postura.
Você disse que antes de ser dado o nome "Ponto de Cultura", você já se considerava um Ponto de Cultura. Então seria um Ponto de Cultura ambulante?
Isso, exatamente! Um ponto em movimento (risada). Não é um ponto fixo não, é um ponto em movimento, porque onde eu chego, eu me apresento, faço oficinas e, sobretudo, converso com as pessoas. É muito bom conversar com as pessoas sobre a nossa profissão. Em geral, as pessoas tem uma ideia completamente diferente da nossa a respeito do nosso ofício. É bom surpreendê-los também com questões que também são do dia a dia.
Que ideias diferentes as pessoas têm da sua profissão?
As pessoas pensam que artistas, no geral, são portadores de um dom, de alguma qualidade especial ou diferenciada e, na verdade, isso é falso. Os artistas são operários, como eu disse, que trabalham com essa matéria-prima que é o sentimento humano, que são os jogos, as relações. Sem dúvida é uma profissão privilegiada, mas no sentido de que nós podemos nos comunicar com muitas pessoas ao mesmo tempo. Um pedreiro dificilmente faz isso, ou dificilmente a pessoa reconhece na parede uma comunicação do pedreiro com quem habita aquela casa. Artista é uma prática como qualquer outra profissão com um conhecimento que precisa ser desenvolvido.





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